A adolescência de ontem já não é a mesma de hoje
Se antes os conflitos giravam em torno da escola, amizades e primeiras paixões, hoje o cenário é mais complexo — e muitas vezes silencioso.
A adolescência contemporânea ocorre em meio a uma avalanche de estímulos: redes sociais, padrões inalcançáveis, hiperconectividade, excesso de informação e um mundo em constante crise. Tudo isso somado à fase natural de mudanças hormonais e construção da identidade torna o emocional dos jovens muito mais vulnerável.
A pressão da imagem e da performance
Vivemos a era da comparação constante. Aplicativos como TikTok, Instagram e até o WhatsApp criaram um palco onde os adolescentes são tanto público quanto produto.
Eles se cobram por parecer felizes, bem-sucedidos, criativos, magros, engraçados — o tempo todo. A busca por validação externa se tornou exaustiva e insustentável.
Isso tem levado ao crescimento de sintomas como:
- Baixa autoestima
- Ansiedade social
- Transtornos alimentares
- Autolesão e ideação suicida
Os efeitos da pandemia ainda persistem
Muitos adolescentes passaram momentos-chave da sua formação social em isolamento. Para uma geração que deveria estar explorando o mundo, relacionando-se e testando seus limites, a pandemia impôs uma pausa emocional.
Agora, muitos deles têm dificuldade de se reconectar, apresentar trabalhos, participar de rodas sociais ou se sentir seguros com o futuro.
Famílias perdidas entre o cuidado e o controle
Pais e mães também enfrentam desafios. O abismo geracional se ampliou. Muitos adultos não entendem os códigos, o ritmo e as dores do mundo digital — e acabam reagindo com autoritarismo ou negação.
Frases como “isso é frescura” ou “no meu tempo não era assim” ainda são comuns, mas desconectadas da realidade atual. O resultado? Jovens mais fechados, solitários e desamparados.
Como a psicologia pode ajudar?
A psicoterapia com adolescentes oferece um espaço neutro, seguro e acolhedor, onde eles podem expressar suas angústias sem medo de julgamento. Mais do que tratar sintomas, o processo ajuda o jovem a:
- Se conhecer e se posicionar
- Desenvolver estratégias emocionais
- Fortalecer sua identidade
- Melhorar suas relações familiares e sociais
Além disso, o acompanhamento de pais e responsáveis também é essencial para que o apoio seja completo.
Um olhar mais atento e empático
Adolescência não é drama. É transformação intensa.
Quanto mais cedo as dores forem reconhecidas, maiores as chances de atravessar essa fase com saúde emocional e autoconfiança.
Se você convive com um adolescente, escute com presença. Se você é um, saiba que não está sozinho — e que existem formas de se sentir melhor.



