Você se julga demais quando erra? Sente que precisa ser forte o tempo todo? Acha que ser gentil consigo mesma é sinal de fraqueza ou “passar pano” para seus defeitos?
Se você respondeu “sim” a qualquer uma dessas perguntas, este texto é para você.
Aqui, vamos falar sobre autocompaixão — não como um conceito bonito, mas como uma ferramenta prática, terapêutica e urgente. Porque aprender a se acolher pode ser o primeiro passo para parar de se sabotar, se punir ou se perder em crises emocionais.
O que é autocompaixão, afinal?
Autocompaixão é o ato de se tratar com gentileza, humanidade e compreensão quando você está sofrendo, falhando ou se sentindo inadequada.
Não se trata de se mimar ou se vitimizar, mas de reconhecer que:
- Errar faz parte da condição humana
- Sofrer não te torna menos valiosa
- A dor é inevitável, mas o autojulgamento é opcional
- Você merece o mesmo cuidado que oferece aos outros
A autocompaixão tem três pilares principais, segundo a pesquisadora Kristin Neff:
- Autobondade: tratar-se com gentileza em vez de crítica
- Humanidade comum: lembrar que não está sozinha nos desafios
- Atenção plena (mindfulness): perceber o que se sente sem se afogar no sentimento
Por que temos tanta dificuldade em praticar autocompaixão?
Porque fomos ensinadas a ser fortes, perfeitas, resilientes e produtivas a qualquer custo.
Crescemos ouvindo frases como:
- “Não chora, engole esse choro”
- “Você precisa dar conta”
- “Fracasso não é opção”
- “Pare de frescura”
- “Tem gente pior do que você”
Essas mensagens nos moldam. Aprendemos que sentir dor é fraqueza. Que errar é motivo de vergonha. Que se acolher é egoísmo.
Mas a verdade é que a autocompaixão não nos enfraquece — ela nos fortalece. Ela nos dá base emocional para seguir em frente sem nos destruir por dentro.
Autocompaixão x Autoestima: qual a diferença?
Autoestima é baseada em como você se avalia, normalmente em comparação com os outros. Pode oscilar bastante: um elogio a eleva, uma crítica a derruba.
Já a autocompaixão é baseada em como você se trata, especialmente nos momentos difíceis. Ela é mais estável, porque não depende do seu desempenho ou da aprovação externa.
Em vez de perguntar “sou boa o bastante?”, a autocompaixão pergunta:
“O que eu estou precisando agora para me sentir segura e respeitada emocionalmente?”
Como a autocompaixão ajuda na saúde mental?
Vários estudos mostram que a autocompaixão está associada a:
- Menor nível de ansiedade e depressão
- Menos procrastinação autossabotadora
- Redução do perfeccionismo tóxico
- Maior resiliência diante de frustrações
- Melhor autorregulação emocional
- Relações mais saudáveis
Pessoas autocompassivas têm mais clareza sobre seus limites, pedem ajuda com mais facilidade e conseguem se reerguer mais rápido após quedas.
E mais: elas se motivam com base no cuidado, e não na punição.
Exercício prático: escrevendo uma carta para si mesma
Esse exercício é poderoso. Pegue papel e caneta (ou um documento no celular) e responda às perguntas abaixo como se estivesse escrevendo para uma amiga querida que está passando por isso:
- O que está acontecendo com você agora?
- O que você está sentindo?
- O que você diria para uma amiga se ela estivesse vivendo isso?
- O que você pode dizer a si mesma, com carinho, hoje?
Ao terminar, leia essa carta em voz alta. Deixe que suas próprias palavras te acolham.
Esse exercício ativa áreas do cérebro ligadas ao bem-estar e reduz a atividade das áreas ligadas à autocrítica.
Dicas práticas para cultivar autocompaixão no dia a dia
Você não precisa de grandes rituais para se acolher. Comece pequeno:
- Observe seu diálogo interno: como você fala consigo mesma?
- Use frases compassivas: “Está tudo bem não estar bem agora”, “Isso é difícil, mas eu não estou sozinha”
- Coloque a mão no coração em momentos de dor: o toque físico ajuda a regular o sistema nervoso
- Cuide do seu corpo com intenção: alimentação, sono e movimento também são formas de autocompaixão
- Diga “não” sem culpa: respeitar seus limites é um ato de amor-próprio
- Busque apoio quando precisar: pedir ajuda é um sinal de maturidade, não de fraqueza
Autocompaixão não é sobre “passar pano” — é sobre parar de se machucar
Algumas pessoas resistem à autocompaixão achando que isso as deixará acomodadas. Mas na verdade, quem se acolhe tem mais energia para agir com consciência e responsabilidade.
A autocompaixão não diz:
- “Está tudo bem errar sempre”
Ela diz:
- “Você errou, e ainda assim é digna de respeito e amor. O que você pode aprender com isso?”
Essa abordagem reduz o medo de falhar e nos convida a agir com mais coragem e coerência.
Você pode aprender a se amar — e isso muda tudo
A autocompaixão é uma prática. E como qualquer prática, leva tempo, repetições, tropeços e persistência.
Mas vale cada passo.
Porque quando você começa a se tratar com gentileza, sua relação com o mundo muda.
Você para de implorar por validação. Começa a se escutar mais. Se cobra menos. Sofre com mais dignidade. E começa a construir uma vida emocional mais honesta.
Você não precisa fazer isso sozinha
Na terapia, você encontra um espaço seguro para descobrir por que a autocrítica tomou tanto espaço na sua vida. E principalmente: aprende a substituí-la por um novo jeito de se relacionar com quem você é.
Agende uma sessão com a psicóloga Alessandra e comece hoje mesmo sua jornada de autocompaixão.



